29/08/2026
“somos todos romaria”, mas mesmo todos.
a timidez colocou-me neste lugar desde sempre, mas a experiência deu-me a oportunidade de avançar. o mais engraçado foi eu não querer mudar de lugar.
há momentos em que seria mais garantido aparecer, dirigir, pôr-me à frente para ter “a foto perfeita” e essa tentação existe.
mas há uma distinção que faço sempre, com os clientes e com a equipa: em momentos-chave : o sim, a água benta, o instante que não se repete, há proximidade e há direção, porque é isso que o cliente quer e merece.
mas nos restantes momentos, escolho recuar. escolho o registo discreto, real, nem sempre tecnicamente perfeito. porque o dia não é sobre mim/nós, é sobre quem está a ser celebrado.
na romaria uso a mesma filosofia. no meio do cortejo ou da revista de gigantones, sem dístico de prioridade, prefiro ver o que os outros veem, registar essas perspectivas e não me impor ao que eles vêem. afinal a maioria tem a visão que registo, não a desafogada sem obstáculos.
a melhor foto não precisa que eu seja protagonista. precisa só que eu esteja lá, no lugar do outro, a tempo de a deixar acontecer. porque somos todos romaria, mas mesmo todos.
e no final, esta é a fotografia que para mim tem mais valor 🤍
p.s.: há pessoas de fora que são rosto da nossa romaria, é o caso do senhor do grupo de bombos de amarante (foto2), que demorou a aparecer e eu procurei desenfreadamente até finalmente o ver.