23/05/2026
A aposta na automatização para transformar a contabilidade
Rui Manuel Teixeira defende que a inovação na contabilidade empresarial passa pela organização do trabalho, atualização constante da informação e automatização inteligente de processos, mas sem dispensar da validação do contabilista.
Rui Manuel Teixeira, CEO
Num setor associado à rigorosa conformidade e ao cumprimento fiscal, onde é que a criatividade tem espaço para inovar na contabilidade empresarial?
A criatividade manifesta-se sobretudo na organização e orientação do trabalho a desenvolver, assim como na gestão das tarefas diárias de cada profissional. Atualmente, o acesso a informação atualizada é primordial na mão do analista, para que possa produzir análises mais estruturadas, rigorosas e competentes.
A CETECONTA tem vindo a desenvolver soluções que automatizam tarefas contabilísticas, fiscais e de gestão. Que problema real do quotidiano dos contabilistas é que estas ferramentas vieram resolver de forma mais clara?
Simplificamos os processos e revolucionamos a forma de fazer a contabilidade em Portugal. Primeiro com a integração do ficheiro SAFT das vendas, onde o processo é inteiramente automático. Posteriormente, com a integração dos documentos importados no eFatura, que evitaram erros de lançamento e inversões nos registos contabilísticos, poupando tempo ao contabilista.
Importa salientar que estas funcionalidades já estão disponíveis há 12 anos, demonstrando um compromisso consistente com a inovação.
A inteligência artificial está a entrar em várias áreas de negócio. Na contabilidade, qual é o equilíbrio certo entre automatização, precisão e controlo humano?
A inteligência artificial não resolve todos os problemas, pois temos sempre de validar a informação. Mas que veio organizar e automatizar mais a informação e processo sim. Nas nossas aplicações utilizamos desde o início a nossa própria inteligência artificial, com robôs no automatismo da informação, pelo que não é novidade para a nossa programação. Mudou sim a forma de apresentação da informação.
Apresentamos ainda uma plataforma on-line, única no mercado desde 2019, onde o contabilista já nem recebe papeis físicos no seu gabinete, e para onde envia toda a informação contabilística e fiscal, como por exemplo; recibos de salários, guias de pagamento, modelos fiscais, certidões, notificações, análises…, e recebe do cliente todos os documentos contabilísticos que são importados automaticamente para as nossas aplicações, onde depois os nossos robôs (IA), processa e lança todos os movimentos.
Nunca foi tão fácil e rápida executar uma contabilidade, dizem os nossos clientes a boca cheia, que uma contabilidade que demoravam a processar num dia, em uma hora está conferida e encerrada.
Nas nossas aplicações utilizamos desde o início a nossa própria inteligência artificial, com robôs no automatismo da informação, pelo que não é novidade para a nossa programação. Mudou sim a forma de apresentação da informação.
A inovação, por si só, não chega: em software de contabilidade, a confiança é decisiva. Como é que garantem que a modernização tecnológica não compromete a segurança, a integridade dos dados e a conformidade fiscal?
Essa pergunta tem rasteira, pois como sabe a informação recolhida é sempre da responsabilidade de quem a importa, mas sim a garantia é dada a partir do momento em que tornamos os processos cada vez mais automáticos.
A CETECONTA fala em soluções “realmente seguras e produtivas”. O que significa, na prática, produtividade para um gabinete de contabilidade ou para uma empresa que usa estas plataformas todos os dias?
Como já referi, mais rapidez, mais organização nos processos de trabalho, implicando mais tempo para desempenhar outras tarefas ou executar mais contabilidade, ou ainda reduzir o pessoal.
Ao longo dos anos, o setor fiscal português mudou profundamente, do POC ao SNC, do SAFT às taxonomias e à certificação. Qual foi o momento em que sentiu que a tecnologia deixou de acompanhar a mudança e passou a liderá-la?
A partir do momento em que lançamos as integrações automáticas sobre as vendas e sobre o eFatura, isso sim, veio revolucionar a forma de fazermos e processarmos a contabilidade, aliada à inteligência artificial (robôs), que utilizamos desde a primeira versão.
Olhando para os próximos anos, qual será a próxima grande disrupção na contabilidade digital?
Na minha opinião, acho que a contabilidade vai passar a ser ainda mais automática se a Autoridade Tributária, acrescentar mais funcionalidades na recolha dos elementos, que já existem, bastando cruza-los para que as conferências sejam ainda mais precisas, mas vai ser sempre necessária a análise do contabilista para aprovar os valores, que já fazem com as nossas aplicações.
O futuro passa por haver uma única declaração anual para fazermos a aprovação das contas e aprovação dos impostos a pagar.