05/09/2026
🍅 NÍVEA PAMBO CONQUISTOU A LICENCIATURA COM A VENDA DE TOMATE NO MERCADO FAJARDO: CONHEÇA A SUA HISTÓRIA
Aos 24 anos, Nívea Alice Pambo é um exemplo de determinação e empreendedorismo. Desde os 12 anos, a jovem dedica-se à venda de legumes e hortícolas no Mercado Fajardo, na cidade de Maputo, actividade que começou como forma de ajudar a mãe nas despesas familiares e ocupar o tempo livre.
Hoje, Nívea é licenciada em Biomedicina Laboratorial pela Universidade Àquila e sonha contribuir para o desenvolvimento de Moçambique através da investigação e de pesquisas na área da saúde.
Ao lado da mãe, comercializa diversos produtos, entre eles tomate, cebola, pepino e batata-reno, tanto a grosso como a retalho.
Da banca de tomate à universidade
A história começou quando a mãe, que já não conseguia permanecer no mercado a tempo inteiro, precisou de ajuda. O irmão mais velho de Nívea sugeriu que ela assumisse as vendas durante os períodos em que a mãe estivesse ausente.
Nos primeiros dias, o irmão acompanhava-a e ensinava-lhe os primeiros passos do negócio: como atender os clientes, negociar e vender. Entretanto, quando ele precisou de se dedicar à faculdade, Nívea teve de continuar sozinha.
“Sem saber muita coisa sobre negócio, fui obrigada a entender como o mercado funciona e continuar a vender”, recorda.
Com o tempo, aquilo que começou como uma responsabilidade familiar transformou-se numa verdadeira paixão. Nívea percebeu que o pequeno negócio poderia ajudá-la a conquistar independência financeira e, sobretudo, financiar os seus próprios sonhos.
Estudar e vender: uma rotina de persistência
Mesmo durante a adolescência, a jovem conciliava o mercado com os estudos.
“Vinha vender no período da manhã e depois ia à escola. Saía de lá e vinha vender. A minha rotina era essa.”
Para Nívea, manter-se ocupada também foi uma forma de permanecer focada e afastada de comportamentos que poderiam comprometer o seu futuro.
Depois de concluir o ensino médio, candidatou-se à Universidade Eduardo Mondlane com o sonho de tornar-se médica. Não conseguiu ingressar no curso pretendido, mas decidiu pesquisar outras áreas e acabou por descobrir a Biomedicina Laboratorial.
Encantada pela área, matriculou-se numa universidade privada e utilizou os lucros do negócio para financiar a sua formação.
“Foi necessário manter o foco e a persistência. Isto é mais do que uma banca ou um pequeno negócio, pois foi aqui onde conquistei boa parte das coisas com que sonhava”, afirma.
Um negócio que sustenta uma família
A relação de Nívea com o comércio começou muito antes dela. A sua mãe está entre as pioneiras do Mercado Fajardo e vende tomate há vários anos.
Foi através desse negócio que a mãe conseguiu sustentar os seus cinco filhos e garantir o essencial para a família.
“É através desse negócio que nunca faltou pão na mesa e, hoje, orgulho-me de também ter seguido por este caminho.”
Entre desafios e assédio, manteve o foco
Nívea conta que trabalhar no mercado, sobretudo sendo jovem e mulher, nunca foi fácil. Ao longo dos anos, enfrentou episódios de assédio e propostas que prometiam uma suposta “vida melhor”.
Segundo relata, tanto clientes como colegas de trabalho chegaram a abordá-la de forma inadequada, principalmente quando a mãe não estava presente.
“Aqui também há muitas tentações. Existem jovens que se perdem quando não conseguem manter o foco. Há muita gente que vem assediar-me, mas deixo sempre claro que venho trabalhar e não para me relacionar com clientes ou colegas. O meu objectivo é fazer dinheiro.”
Apesar das dificuldades, a jovem decidiu permanecer fiel aos seus objectivos.
“É possível construir o nosso futuro de forma honesta”
Para Nívea, empreender exige resiliência, disciplina e capacidade de continuar mesmo diante das perdas.
A sua mensagem é especialmente dirigida às mulheres, que incentiva a acreditarem nos próprios sonhos e a não desprezarem os pequenos começos.
“Não importa se começamos com pouco, desde que não desistamos e que não nos desviemos dos nossos princípios.”
A história de Nívea mostra que uma banca de tomate pode ser muito mais do que um simples ponto de venda: pode transformar-se numa fonte de sustento, numa escola de vida e no caminho para conquistar uma formação superior e realizar sonhos.
Fonte: Jornal Domingo.