30/09/2026
Existe uma fantasia de que, ao ocupar o lugar de terapeuta, conseguimos deixar toda a nossa história do lado de fora da sala.
Como se a formação nos tornasse emocionalmente neutras.
Mas a terapeuta também entra na sessão.
Ela leva suas experiências, seus medos, sua relação com rejeição, conflito, autoridade, cuidado, controle e necessidade de reconhecimento.
Isso não é uma falha profissional.
O problema não é sentir medo, irritação, identificação ou vontade de proteger o cliente.
O problema começa quando aquilo que sentimos passa a decidir silenciosamente como conduziremos a sessão.
A necessidade de aprovação pode fazer você evitar um limite.
O medo de parecer incompetente pode fazer você explicar demais.
A identificação com o sofrimento pode despertar a necessidade de salvar.
A angústia diante da incerteza pode fazer você controlar.
E, enquanto acredita estar respondendo apenas ao cliente, talvez também esteja respondendo ao que foi ativado em você.
O caminho não é esperar que todas as suas feridas desapareçam.
É aprender a reconhecer quando elas entram na sala e começam a ocupar uma função que não lhes pertence.
Porque, quando você percebe o movimento, recupera a possibilidade de escolher:
retornar à escuta;
retornar ao método;
retornar ao limite;
retornar ao tempo do cliente;
retornar ao seu lugar.
O lugar da terapeuta não é um estado permanente de segurança.
É um lugar que você aprende a reconhecer, construir, sustentar e ao qual aprende a retornar.
No dia 03 de outubro, das 9h às 12h, teremos o encontro gratuito, online e ao vivo:
Centro da Terapeuta - Onde o caminho começa.
Inscreva-se pelo link da bio.