15/09/2026
Na psicologia analítica, falamos muito sobre individuação, que tornar-se quem você realmente é.
Mas isso não é simplesmente buscar uma vida confortável.
É permitir que algo em você se desenvolva.
É entrar em contato com potencialidades que ainda não ganharam forma, com capacidades que f**aram adormecidas, com partes da personalidade que talvez nunca tenham sido realmente convocadas.
Por isso o tema do rustout me chamou tanta atenção.
Porque ele mostra que o ser humano não adoece apenas quando a vida exige demais.
Às vezes, ele também começa a se apagar quando a vida exige de menos.
Não no sentido de defender pressão excessiva, ambientes abusivos ou sobrecarga. Isso adoece, e precisa ser levado a sério.
Mas existe uma diferença entre descanso e subcarga.
Descanso recupera.
Subcarga enferruja.
O rustout fala justamente dessa “ferrugem psíquica”: quando a pessoa tem capacidades, sensibilidade, inteligência, desejo de crescer… mas passa tempo demais em ambientes, funções ou relações que não convocam nada disso.
E talvez a pergunta não seja apenas:
“o que eu preciso tirar da minha vida para sofrer menos?”
Mas também:
“o que está faltando na minha vida para que eu volte a me sentir convocado por ela?”
Porque uma vida com saúde não é uma vida sem exigências.
É uma vida em que as exigências têm proporção, sentido e possibilidade de crescimento.
Referência citada no vídeo: matéria da American Psychological Association — “The hidden cost of workplace rustout”.