22/05/2017
EVITE A INADIMPLÊNCIA, MESMO EM TEMPOS DE CRISE!!!
"Durante a vida de uma empresa há vários momentos em que ela corre o risco de se endividar, e isso não é necessariamente ruim. Contrair uma dívida em um banco, por exemplo, pode significar que ela está alavancada, ou seja, está captando recursos que não possui para aumentar a produção, elevar vendas, crescer e, assim, atingir outro patamar de faturamento.
Mas, por outro lado, há perigo se a empresa precisar honrar com todos os seus compromissos de uma hora para outra. A empresa precisaria vender toda a sua produção ou receber grande parte daquilo que não foi pago por seus clientes para não ficar inadimplente."
Aqui, como em tantas outras situações, vale o ditado: “Prevenir é sempre melhor do que remediar”. Sendo assim, Eduardo Rinaldi Hupfer, especialista em Sustentabilidade, ensina algumas dicas simples para fugir do risco de inadimplência:
1. Planeje-se para tomar crédito: Quando for tomar uma linha de crédito, certifique-se que ela se adequa a suas necessidades, principalmente se o recurso captado será empregado em ações que trarão lucro para a empresa no futuro. Caso o motivo da busca por crédito seja falta de dinheiro no caixa da empresa, é hora de repensar o que está causando essa insuficiência de caixa. As linhas de crédito de rápido acesso, como o cheque especial e a conta garantida, têm por função cobrir descasamento de caixa pontuais. Se isso acontece com muita frequência, o empreendedor deve rever sua estratégia.
2. Nunca comprometa a maior parte do seu caixa com pagamento de parcelas: Por melhor que sejam as perspectivas e taxas de um empréstimo, lembre-se que você ainda terá que pagar as contas, os fornecedores e os funcionários. Se suas parcelas conjuntamente tiverem um valor muito elevado, você não conseguirá honrar todos os compromissos da empresa. Nesse caso é interessante fazer uma simulação do valor das parcelas (todos os bancos são obrigados a demonstrar o CET – Custo Efetivo Total, das operações de crédito) para saber se elas cabem no orçamento.
3. Não capte mais recursos do que o necessário: Muitas vezes quando a empresa vai bem, temos à nossa disposição uma grande quantidade de recursos financeiros, e captá-los sem uma finalidade especifica pode ser perigoso. Dinheiro parado no caixa da empresa se traduz em custo. E se sobre esse valor ainda estiver incidindo juros trata-se de um custo maior ainda. Por isso, atenção: tome apenas o recurso necessário.
4. Cuidado com a alavancagem: É comum algum vendedor da empresa ou um colega empresário apresentar uma oportunidade, na qual a empresa poderá ganhar muito com pouquíssimo esforço. Esse tipo de oportunidade muitas vezes faz com que o empresário entre numa euforia e saia atrás de recursos para produzir toda a quantidade que o cliente está pedindo. Antes de aumentar muito sua produção certifique-se que o negócio realmente é viável financeiramente – se trará lucro para a empresa - e avalie se o cliente não deixará sua empresa na mão. Cuidado para não dar um passo maior do que a perna.
5. Controle a sua própria inadimplência: Ao vender a prazo para um cliente, você está dando crédito a ele. Certifique-se que esse cliente o pagará de volta e, caso ele não pague, tenha uma boa estrutura de cobrança.
6. Analise opções de renegociação antes de ficar inadimplente: Não é necessário começar a atrasar as parcelas para renegociar uma dívida. Os bancos oferecem produtos que permitem substituir dívidas caras por mais baratas. Você pode substituir dívidas de cheque especial e cartão de crédito, por exemplo, por uma única parcela de capital de giro. Nesse caso, além da redução da taxa, ficará mais fácil visualizar no fluxo de caixa em uma única parcela. Entretanto, ao realizar esse tipo de operação você pode ter seus limites de crédito afetados.
FIQUEI INADIMPLENTE. E AGORA?
Mesmo seguindo todas as boas práticas, muitas empresas não conseguem evitar uma eventual inadimplência. Nesse caso há algumas medidas que podem ser tomadas para tentar reverter essa situação:
" - Descubra o que causou a inadimplência: Deixar de pagar uma dívida pode estar ligado a diversos fatores, como uma simples contestação de cobrança de uma conta de telefone, por exemplo, ou uma queda brusca de mercado. Sempre que a empresa ficar inadimplente, a primeira medida a tomar é descobrir o motivo que a deixou nessa situação e solucionar o problema para que ele não afete mais a empresa.
- Procure renegociar: Caso não esteja conseguindo pagar suas dívidas, procurar seu banco e propor uma renegociação é uma saída, já que normalmente as taxas e os prazos são mais atraentes. Se a dívida for inferior a 60 dias, há maior possibilidade de produtos para renegociação.
- Garantias: Se possuir garantias, use-as na renegociação da dívida. Dependendo do tipo de garantia e do caso, elas podem melhorar prazos e taxas.
- Nunca use o crédito pessoal para cobrir a conta PJ: Tomar crédito pessoal para pagar uma dívida na pessoa jurídica é substituir uma inadimplência por outra. Além de não resolver o problema, geralmente o crédito pessoal é mais caro do que o para empresas.
- Justiça apenas em último caso: Recorrer à justiça é sempre uma medida drástica, tanto para devedores como para credores. Os custos envolvidos em uma disputa judicial para pagamento de dívida normalmente recaem sobre aquele que perde a ação, ou seja, além de pagar a dívida, você pode ser obrigado a pagar os custos do processo que o seu credor teve. Sendo assim, essa é uma opção é o último recurso a ser utilizado. O ideal é sempre procurar um acordo."