14/09/2023
SAN JOSÉ, COSTA RICA (FOLHAPRESS) - Depois do golpe da mão fantasma, um vírus de celular capaz de desviar dinheiro via Pix vem crescendo no Brasil, segundo a empresa de cibersegurança Kaspersky. A tecnologia desenvolvida por criminosos brasileiros foi detectada em dezembro e, embora restrita ao país, já é a segunda fraude mais registrada em toda a América Latina.
O programa malicioso responde por 1.385 registros de golpes em 2023, de acordo com o levantamento feito a pedido da Folha de S.Paulo. A liderança nos países latino-americanos é dos vírus da família Banbra, usados para acesso remoto a smartphones na mão fantasma, com 2.039 ocorrências.
Na fraude do Pix, criminosos conseguem trocar o destinatário e o valor da transferência. O programa malicioso (malware) trabalha na etapa anterior à solicitação da senha --os poucos indícios são tremedeira na tela e lentidão para carregar. Os estelionatários levam até 95% do saldo da conta em um único golpe.
Para infectar os celulares, os crackers -hackers voltados a atividades criminosas- usam notificações e aplicativos falsos. Em um dos episódios, por exemplo, o golpe começava com o anúncio de uma atualização do WhatsApp, que redirecionava para um simulacro do app de mensagens. Quem baixava programa "Atualização Whats App v2.5" ficava comprometido.
O app foi retirado do ar da Google Play, após aviso da Kaspersky. O analista sênior de segurança da empresa Fabio Marenghi afirma que mantém contato constante com a empresa responsável pelo sistema operacional Android. O modo de operação dos criminosos foi apresentado na Conferência Latino-Americana de Cibersegurança da Kaspersky, realizada na Costa Rica.
PROTEJA-SE
Para se prevenir do golpe, o primeiro passo é suspeitar de qualquer notificação que peça "acesso às opções de acessibilidade." Isso vale tanto para solicitações do navegador quanto de aplicativos, segundo Marenghi.
Essa permissão dá amplo acesso às funcionalidades do smartphone e só é necessária para quem precisa de algum auxílio do aparelho para usar aplicativos, que devem ser selecionados criteriosamente.
Os cibercriminosos escolhem o Pix como ponto de atuação pela velocidade. Com a tecnologia de pagamentos instantâneos, é possível dispersar o dinheiro entre várias contas. Isso dificulta muito o rastreio dos valores, de acordo com o diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky, Fabio Assolini.