02/05/2021
ECONOMIA
Mercado de trabalho no pós-pandemia terá salários menores e crescimento de vagas informais.
O arrefecimento da pandemia do novo coronavírus esperado para o segundo semestre deste ano, caso os planos de vacinação sejam cumpridos, deve trazer um alívio ao mercado de trabalho pressionado por 14,4 milhões de desempregados. Entretanto, o brasileiro encontrará vagas precarizadas por salários menores e características de ocupações informais, como a ausência de direitos trabalhistas e sem horário e dias regulares. A retomada do emprego pleno ainda não é algo que se prospecta no horizonte. Apesar das medidas de restrição impostas pela crise sanitária terem aumentado o fosso da desocupação, o país já vinha de uma situação econômica bastante delicada e que se agravou com os gastos ao combate à pandemia. A situação de empregos com baixa qualidade deve se estender até ao menos o fim de 2022, segundo Juliana Inhasz, economista e professora do Insper. “Não será um emprego que o trabalhador gostaria de ter, nem o tipo que a economia precisa para crescer. O brasileiro vai ter um salário menor do que ele teria em condições normais ou abaixo da sua qualif**ação, além de não ter muita segurança trabalhista, como 13º salário, férias”, afirma dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na sexta-feira, 30, mostraram que a taxa de desemprego no país chegou a 14,4% no trimestre encerrado em fevereiro, ligeiramente abaixo do pico de 14,6% registrado em setembro do ano passado. O índice de subutilizados, ou seja, pessoas que trabalham menos do que gostariam, chegou a 29,2%, um contingente de 32,6 milhões de brasileiros. “Toda a recuperação de crise é natural que primeiro sejam criadas vagas informais e intermitentes [sem jornada regular]. Entre 2017 e 2018, foi assim, até que em 2019 estávamos ensaiando uma recuperação no mercado formal”, afirma Renan Pieri, economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Essa transição do desemprego para o emprego de baixa qualidade é justif**ada pela falta de confiança dos responsáveis pela criação das vagas de trabalho — empresários, lojistas, industriais, entre outros — na retomada da economia. “Esse tipo de emprego gera menos riscos para o empregador. Ele não sabe se a demanda vai crescer, se vai precisar enfrentar um novo período de restrição para o funcionamento. Tudo isso faz com que a criação de emprego seja postergada até o que o cenário fique mais claro.”