10/12/2025
São Sebastião do Passé: a política da saúde que adoece o município
Em São Sebastião do Passé, os personagens que se apresentam como representantes da “saúde” continuam surgindo a cada eleição. Motoristas de ambulância, funcionários de postos e apadrinhados de secretarias transformam sua proximidade com serviços básicos em plataforma eleitoral. O discurso é sempre o mesmo: “sou da saúde”. A prática raramente acompanha a promessa.
Na legislatura passada, duas vereadoras se apresentavam como porta-vozes do setor. Hoje, restou apenas uma a carregar esse título — mais como bandeira eleitoral do que como compromisso com políticas públicas sólidas.
O mecanismo é conhecido por toda a população: utiliza-se da máquina pública para indicar aliados, interferir em serviços e construir dependência. Na prática, a vulnerabilidade dos moradores vira combustível político.
E o episódio mais recente escancarou esse modelo.
Aprovado o corte de R$ 4 milhões da saúde básica para 2026
A base governista na Câmara aprovou a retirada de R$ 4 milhões do orçamento da saúde básica para 2026. Um corte que, segundo especialistas e opositores, compromete diretamente a porta de entrada do sistema — justamente onde se previnem agravamentos e se evitam filas em hospitais regionais.
A vereadora Angélica, que se apresenta politicamente como “da Saúde”, apoiou a medida. O voto único contrário veio da bancada de oposição, isolada diante de uma maioria alinhada ao Executivo.
Prioridade invertida
A decisão reforça a percepção crescente de que a gestão municipal — liderada pela prefeita Nilza da Mata e conduzida politicamente pelo secretário Cacau da Mata — não trata a saúde básica como prioridade. Pelo contrário, aprofunda a fragilidade do setor.
Enquanto isso, repete-se o discurso de que problemas na regulação estadual seriam os grandes responsáveis pelas dificuldades no atendimento. Porém, quando a própria saúde municipal perde investimentos essenciais, a retórica não encontra sustentação.
O custo político e social
Para muitos moradores, o corte no orçamento simboliza um modelo de governança baseado mais na manutenção da dependência e na política do improviso do que na construção de serviços públicos eficientes. Faltam planejamento, transparência e compromisso com resultados concretos.
No fim, São Sebastião do Passé segue sem representação legislativa qualificada o suficiente para enfrentar essas distorções. Resta à população lidar com as consequências de escolhas políticas que, ano após ano, enfraquecem a saúde pública local.