19/06/2024
Quando a coisa dá errado:
Sabe, gente, não é sempre que a coisa dá certo.
Tô sempre trazendo aqui cases de sucesso, mas minha humanidade me obriga a trazer um aprendizado aqui para que nunca mais aconteça novamente.
Tem hora que a gente erra. E tem hora que a gente erra, sem errar.
Serviço gráfico, como dizia meu primeiro gerente de vendas, lá pelos idos de 1997/1998, é a venda de um sonho, a venda de uma promessa. O cliente primeiro pede, primeiro compra, depois recebe e avalia. Se o que tinha na cabeça dele é melhor do que aquilo que você entregou, não importa todo seu esforço e sacrifício, não importa nem se tecnicamente o que você está entregando é melhor do que aquilo que ele tinha: Sua parte como “comercial técnico” falhou.
Semana passada peguei um impresso feito fora do Brasil em mãos. Um impresso num papel grosso, cuja camada de tinta de uma impressora laser dessas bem antigas deixou ainda mais grosso... algo que, visto pela maioria dos clientes aqui no Brasil pareceria grosseiro, feito em casa, amador. Digo a maioria MESMO, pelo menos 99% das pessoas não ia querer aquele resultado, aqui no Brasil.
Avisei o cliente que não tínhamos aquele tipo de impressora, mas confesso que não fui enfático. Nem me passava pela cabeça que o cliente gostava daquelas características.
Impressoras modernas, como as novas Xerox, HP Índigo, Konica ou Cannon (que povoam quase que a totalidade das gráficas digitais brasileiras) trazem uma impressão mais parecida com impressão offset. E essa é uma característica muito desejada pelo cliente brasileiro de forma geral: querem uma impressão digital que não se pareça com impressão digital. Essa é uma “regra geral implícita” no que diz respeito ao mercado gráfico nacional. Quase ninguém fala, mas é isso que agrada.
Até por isso, nem dei tanta importância quando peguei aquela impressão modelo feita fora do Brasil, uma tinta brilhante e tão grosseiramente impressa que fazia até altura no papel – sim dava para sentir oi “degrau” de tinta ao passar a unha.
Porém amigos, meu cliente gosta é daquilo. Dá tanto valor para aquele brilho artificial que aquela tinta mais parecida com uma cera dá ao impresso que eu, em minha “arrogância comercial de quem tem 30 anos de janela em atendimento gráfico” não notei o quanto aquilo era importante para ele.
Resumindo. O cliente não devolveu, vai usar o impresso, mas não gostou do resultado. Achou fosco, opaco, e até achou o papel fino (detalhe, usei a mesma gramatura do original, só que como a tinta de fora é grossa, fez com que tudo ficasse bem mais encorpado, até o papel).
Apesar de o cliente não devolver, por entender que recebeu “tecnicamente” um trabalho correto, lamento profundamente a sua tristeza. Sequer posso pedir pra refazer o trabalho, não temos como imprimir com aquele toner antigo, nem conheço gráficas que ainda o utilizem. Então, comercialmente falhei, mas entendi para não errar novamente... E assim, a vida de um vendedor iniciante de 30 anos de carreira vai sendo enriquecida, por novos desafios que surgem a cada atendimento.