16/08/2024
Crônica de uma “bacanice” contemporânea
Em tempos onde as telas brilham mais do que as estrelas no céu, vivemos uma era onde o brilho do caráter parece desvanecer, eclipsado pela busca incessante por aprovação digital. É curioso observar como a “bacanice”, aquela característica tão rara e valiosa que costumava florescer em gestos simples e palavras sinceras, está se tornando uma joia rara, quase extinta.
As pessoas bacanas, aquelas que ofereciam um sorriso despretensioso, que cediam o lugar na fila sem esperar reconhecimento, que perguntavam “como vai você?” com genuíno interesse, parecem estar se escondendo. Não é que tenham desaparecido por completo, mas estão cada vez mais escassas, sufocadas por uma realidade onde o valor de alguém é medido em números: curtidas, seguidores, views. A vida, antes tão rica em interações reais e trocas humanas, foi encapsulada em uma competição incessante por “IBOPE”, onde ser visto parece mais importante do que ser verdadeiro.
Vivemos uma era onde a imagem tornou-se a moeda de troca mais valiosa, e o brilho das boas ações se ofusca perante o glamour de um feed impecável. As pessoas bacanas, aquelas que outrora eram comuns em nosso dia a dia, talvez estejam cansadas de competir em um palco onde a autenticidade perdeu sua audiência. Ou talvez, o simples fato de serem genuínas, sem precisar de aplausos, as fez recuar para os bastidores da vida, onde ainda conseguem ser elas mesmas, longe dos holofotes e do escrutínio público.
Mas a questão que f**a é: para onde vamos? Será que vamos continuar a trocar a essência pela aparência, o profundo pelo superficial? Ou vamos resgatar o valor do ser sobre o parecer? Talvez, no silêncio de um mundo cada vez mais ruidoso, as pessoas bacanas estejam apenas esperando o momento certo para reaparecer, quando finalmente percebermos que o verdadeiro valor está naquilo que não pode ser contado em números, mas sentido na alma.
Até lá, cabe a cada um de nós a responsabilidade de cultivar a “bacanice” no nosso cotidiano, não como uma moeda de troca, mas como um ato de resistência em um mundo que parece ter se esquecido do que realmente importa.
Ângelo Santana