10/02/2020
Encontrados "ecos" no espaço que contrariam a teoria da relatividade de Einstein
Por Daniele Cavalcante | 06 de Fevereiro de 2020 às 22h00
Stephen Hawking elaborou em 1974 argumentos teóricos sobre buracos negros que contrariam a teoria da relatividade geral de Albert Einstein. Essas ideias sugerem a existência de algo chamado “radiação Hawking”, até hoje controversa, já que as propostas de Einstein se provaram estar corretas em muitas ocasiões a partir de observações espaciais. Mas isso pode estar prestes a mudar graças a uma nova detecção de ondas gravitacionais.
Quando duas estrelas de nêutrons colidiram e criaram um poderoso tremor no universo, suas ondas gravitacionais viajaram pelo espaço até que cientistas puderam detectá-las na Terra, em 2017. Isso aparentemente validava a teoria da relatividade geral. Mas, agora, examinando as gravações dessas ondas, uma dupla de físicos acredita que encontrou evidências de que surgiu ali um buraco negro que, na verdade, violaria o modelo de Einstein.
Einsten x Hawking
Representação artistica de um buraco negro (Imagem: XMM-Newton, ESA, NASA)
Na relatividade geral, os buracos negros são singularidades infinitamente compactadas, cercadas por horizontes de eventos suaves através dos quais nenhuma luz, energia ou matéria pode escapar. Simples e confirmado com todos os dados que astrônomos conseguiram coletar a partir de buracos negros até agora.
Mas Hawking afirmou em seus artigos que as bordas dos buracos negros não são tão suaves assim. Ele estabeleceu a hipótese de uma mecânica quântica que permite que a radiação Hawking escape. Resumidamente, partículas e antipartículas se formam em pares durante brevíssimos instantes, a partir do vácuo do espaço. Elas então se desintegram rapidamente entre si. Quando isso ocorre no limite do horizonte de eventos, existe a probabilidade de que um dos membros do par se forme no interior, e o outro no exterior, ou seja, um dos componentes do par poderia escapar do buraco negro.
Como resultado, o buraco negro emite uma radiação, formada pelas partículas que escapam do horizonte de eventos, o que faz com que o buraco negro perca massa. Nos anos seguintes a essa teoria, surgiram vários modelos alternativos onde os horizontes de eventos suaves e perfeitos de Einstein seriam substituídos por membranas mais frágeis e confusas, na tentativa de validar a ideia de Hawking.
Mais recentemente, alguns físicos previram que, no caso de buracos negros recém-formados, essa nebulosidade seria intensa o suficiente para refletir ondas gravitacionais, produzindo um tipo de eco.
Ecos e incertezas
Após a detecção de ondas gravitacionais geradas pela colisão das estrelas de nêutrons localizadas na galáxia elíptica NGC 4993, a 130 milhões de anos-luz da Terra, dois físicos argumentam que encontraram esse eco. De acordo com eles, um buraco negro se formou quando as estrelas de nêutrons se fundiram, e agora ele está emitindo esse sinal como se fosse um sino ecoando e, de certa forma, “atropelando” a física einsteiniana dos buracos negros.
Ainda não há certeza sobre essa detecção, mas se o eco for real, deve ser resultado da “confusão” quântica de um buraco negro, de acordo com o coautor do estudo, Niayesh Afshordi, físico da Universidade de Waterloo, no Canadá. Ele explica que "na teoria da relatividade de Einstein, a matéria pode orbitar em torno de buracos negros a grandes distâncias, mas deve cair no buraco negro próximo ao horizonte de eventos". Portanto, perto do buraco negro, não deve haver material “solto” para ecoar ondas gravitacionais. Mesmo os buracos negros que se cercam de discos de material devem ter uma zona vazia ao redor de seus horizontes de eventos, disse ele.
Ao contrário disso, “o atraso de tempo” que os dois pesquisadores observaram nos ecos “só pode ser explicado se alguma estrutura quântica estiver fora do horizonte de eventos” do buraco negro. Mas é importante ressaltar que os dados dos detectores de ondas gravitacionais existentes são difíceis de interpretar adequadamente e podem resultar em falsos positivos, e por isso ainda há dúvidas.
O estudo divide a opinião de outros cientistas. Enquanto alguns acharam o trabalho convincente, outros permanecem céticos. Mesmo que o eco seja real, os pesquisadores ainda não sabem exatamente que tipo de objeto astrofísico produziu o fenômeno; ou seja, ainda não há evidências concretas de que o resultado da fusão das estrelas tenha sido mesmo um buraco negro, ou algum outro objeto de vida curta, como uma estrela de nêutrons hipermassiva.
Independentemente do que esses dados signifiquem, é certo que se trata de algo que vale a pena explorar ainda mais, e a comunidade científ**a concorda. Se a teoria de Hawking for comprovada, poderá ser o início de uma nova era para a astrofísica.
Fonte: Live Science
Na órbita de Marte, há satélites que ajudam na comunicação entre as sondas que estão na superfície do Planeta Vermelho e as agências espaciais aqui na Terra, como a NASA e a ESA. Agora, uma empresa britânica está se preparando para fazer fornecer o mesmo tipo de tecnologia na Lua e já recebeu tem o aval para produzir o equipamento.
Essa empresa é a Surrey Satellite Technology, ou simplesmente SSTL, sediada no Reino Unido e especializada em construir e operar pequenos satélites. A plataforma lunar, que deve estar pronta para lançamento no final de 2022, poderá ser usada por missões lunares de agências governamentais e empresas privadas para retransmitir dados e telemetria da Lua para a Terra.
Em outras palavras, uma sonda enviada à Lua para realizar pesquisas por lá poderá usar o satélite da SSTL para transmitir dados ao controle da missão. A SSTL está financiando a construção do satélite e inicialmente venderá seus serviços através de um contrato comercial com a Agência Espacial Européia.
Batizado de “Lunar Pathfinder”, a plataforma deve ter pouco menos de 300 kg no lançamento. Seus equipamentos de rádio funcionarão nas frequências da banda S e UHF para se comunicar com naves espaciais próximas e na banda X para fazer a conexão de mão dupla com a Terra.
De acordo com os planos da SSTL, o satélite f**ará em uma órbita altamente elíptica para que ele possa ter longos períodos de visibilidade sobre a região sul da Lua, que é o alvo das próximas missões, como o Programa Artemis, da NASA. Além disso, a órbita também deve favorecer a comunicação com o lado afastado da Lua, que está além do alcance da transmissão direta via rádio com a Terra.
Isso facilitará as missões lunares para as empresas menores. Normalmente, uma sonda terrestre deve viajar com seu próprio satélite orbitador para estabelecer a comunicação com a Terra. Com o novo satélite da SSTL, projetos menores e de baixo custo poderão ser lançados sem a necessidade de seu próprio sistema de retransmissão.
Além disso, todas as missões devem se beneficiar do aumento nas taxas de dados provenientes de uma plataforma de telecomunicações local e dedicada na órbita lunar. Sue Horne, chefe de exploração espacial da Agência Espacial do Reino Unido (UKSA) espera que o país lidere as comunicações no espaço profundo, com os projetos Goonhilly, Lunar Pathfinder e a estação lunar internacional Gateway.
Outro projeto da SSTL é um estudo sobre como uma constelação de espaçonaves poderia ser colocada ao redor da Lua para fornecer telecomunicações e serviços de navegação por satélite para o mercado lunar. Assim, o Lunar Pathfinder será uma prova da tecnologia, mas também “testará a viabilidade de um mercado comercial de serviços de telecomunicações na Lua”, explicou o gerente de negócios de exploração da SSTL. “Quando a futura constelação for lançada, o Pathfinder se tornará um nó nessa rede”.
Fonte: BBC
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SpaceX quer que Starlink seja um negócio à parte e com capital aberto
Por Patrícia Gnipper | 07 de Fevereiro de 2020 às 20h50
Saiba tudo sobre SpaceX
O projeto Starlink, da SpaceX, está "voando" — com o perdão do trocadilho. Esta é a iniciativa da empresa espacial de Elon Musk que está lançando uma constelação de satélites à órbita da Terra para fornecer internet de alta velocidade a qualquer lugar do planeta. É que, além de já ter feito alguns lançamentos bem sucedidos, o projeto tem tanto potencial que a companhia possivelmente o tornará um negócio à parte para se tornar uma empresa de capital aberto.
Quem falou sobre isso foi a presidente e COO da SpaceX, Gwynne Shotwell, durante um evento para investidores. "No momento, somos uma empresa privada, mas o Starlink é o tipo certo de negócio que podemos levar adiante e tornar público", disse.
Na visão da Bloomberg, iniciar uma oferta pública do Starlink "daria aos investidores a chance de comprar uma das operações mais promissoras da empresa de capital fechado". E, segundo a CNBC, Elon Musk disse a repórteres que "o Starlink pode gerar uma receita de US$ 30 bilhões por ano, ou cerca de 10 vezes a maior receita anual esperada para o negócio principal de foguetes", referindo-se à própria SpaceX.
Foguete Falcon 9 levando um lote de satélites Starlink à órbita da Terra (Foto: SpaceX)
Elon Musk diz que projeto Starlink é fundamental para receita da SpaceX
Funciona! Elon Musk posta no Twitter usando internet de satélite Starlink
O projeto Starlink tem permissão da Comissão Federal de Comunicações (FCC) para lançar quase 12 mil satélites, sendo que, até então, cerca de 240 já foram enviados à órbita. Contudo, Musk busca permissão para aumentar este número total para até 42 mil, lançando 30 mil satélites além do planejado inicialmente — tudo para garantir a oferta de banda larga de alta velocidade a toda a extensão do globo, incluindo áreas remotas e isoladas. A empresa pretende começar a oferecer essa conectividade a algumas regiões dos Estados Unidos já no final deste ano e, para isso, tem programados diversos lançamentos com novos lotes de 60 unidades, cada.
Contudo, dificilmente o Starlink, ao se tornar uma empresa à parte, f**ará independente da SpaceX. Afinal, a companhia é especializada em desenvolver e operar foguetes reutilizáveis, que barateiam os custos por lançamento, e vem ganhando autoridade no mercado aeroespacial, sendo parceira até mesmo da NASA. Sendo assim, é provável que, caso o Starlink se torne uma empresa paralela e de capital aberto, firme algum tipo de acordo com a SpaceX para garantir o uso contínuo do foguete Falcon 9, com o qual fez os lançamentos anteriores.
Fonte: Bloomberg, CNBC
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Cratera formada em Marte em 2005 é "foto do dia" em site da NASA
Por Daniele Cavalcante | 07 de Fevereiro de 2020 às 16h50
Saiba tudo sobre NASA
A NASA fotografou uma cratera em Marte formada pelo impacto de um meteorito que ocorreu entre fevereiro e julho de 2005. A foto foi capturada pela HiRISE, a poderosa câmera da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da NASA, e foi escolhida como “Imagem do Dia” no site da HiRISE.
Ela foi registrada quando a sonda estava a 260,1 km da superfície marciana. A cratera está localizada ao norte da região chamada Valles Marineris - um sistema de cânions maior que todos os cânions na Terra.
Imagem: NASA/JPL/UoArizona
Após sobreviver à entrada na fina atmosfera de Marte, o meteorito formou a cratera e deixou rochas no que é chamado de “manta de ejecta” - uma cobertura geralmente simétrica de material expelido que envolve a cratera. A manta é formada por camadas espessas na borda da cratera e torna-se fina até f**ar descontínua na borda externa da manta.
De acordo com a equipe da HiRISE, a cor azul “provavelmente representa rochas basálticas escuras, uma rocha vulcânica comumente encontrada em lugares como o Havaí, no topo da superfície coberta de poeira”. Essas rochas também são encontradas nas superfícies da Lua, Marte e Vênus, e em alguns meteoritos. Também há alguns pequenos pedaços de rocha distantes.
Antes e depois do impacto (Imagem: NASA/JPL/UofArizona)
As formas radiais da cratera são chamadas de "raios", e eles ajudam a encontrar as crateras mais recentes. É que crateras mais velhas não têm raios, pois eles são corroídos pela erosão ao longo do tempo. Como os impactos também expelem o material solto da superfície e expõem uma camada mais profunda do solo, crateras jovens como esta ajudam os cientistas a estudar melhor partes subterrâneas do planeta.
Fonte: Universe Today
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Energia do sol | Enel inicia operações de parque solar de 475 MW no Piauí
Por Wagner Wakka | 24 de Janeiro de 2020 às 11h00
A Enel Green Power, subsidiária de energia sustentável do Grupo Enel, iniciou as operações de uma planta de painéis fotovoltaicos em São Gonçalo do Gurgueia, no Piauí. A instalação tem capacidade de 475 MW, com investimentos na casa de R$ 1,4 bilhão.
De acordo com a companhia, esta é a primeira vez que a Enel usa um módulo bifacial em seu sistema de painéis. Isso permite que a luz solar seja captada por ambos os lados, gerando um aproveitamento 18% maior.
Com potência de 475 MW, a secção será capaz de fornecer 1.200 GWh por ano para a rede do Piauí. Do total, a 265 MW deve ser destinado à cadeia de companhias do mercado brasileiro, sendo que 210 MW pode ser negociados abertamente com outras empresas.
Como um processo de energia limpa, a estimativa é de que sejam evitadas 600 mil toneladas de dióxido de carbono enviados à atmosfera todos os anos.
Esta é a primeira etapa do projeto. Em agosto, a Enel anunciou a extensão no parque solar de São Gonçalo, com investimentos na casa de R$ 422 milhões. Com isso, a instalação toda deve passar a ter potência extra de 133 MW, totalizando 608 MW no parque todo. Quando estiver completamente funcional, o parque deve oferecer 1.500 GWh em energia. A previsão é de que as operações sejam iniciadas ainda este ano.
Além do parque, a Enel também tem outras instalações para energia limpa no Brasil. No total, são cerca de 2.9 GW de potência, sendo 782 MW provenientes de fonte eólica, 845 MW de painéis fotovoltaicos e 1.269 MW de produção hidráulica.
Fonte: Enel
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