26/08/2026
Minha habilidade com desenhos é uma herança de família.
Meu saudoso pai desenhava e, segundo relatos, meu avô paterno também. Talvez exista algo de genético nessa inclinação, mas acredito que exista também algo de propósito.
Hoje, a criança que fui veio me visitar e perguntou:
— Saulo, nós nos tornamos desenhistas?
Respondi:
— Sim, Saulinho. E fomos muito além do que imaginávamos.
Talvez amadurecer não seja abandonar quem fomos, mas aprender a dar propósito às predisposições, habilidades e interesses inocentes que carregávamos na infância.
Quando olho para minha trajetória, percebo que muito do que construí profissionalmente já estava, de alguma forma, presente naquela criança.
O desenho foi apenas uma das primeiras manifestações. Com o tempo, vieram a educação, a comunicação, a gestão, o empreendedorismo, a escrita, a consultoria e tantas outras formas de criar e transformar.
Parece clichê, mas não acredito que seja: nossas predisposições e habilidades são dádivas.
Eu acredito que Deus nos concede dons não apenas para nosso próprio desenvolvimento, mas para que possamos colocá-los a serviço de algo maior: tornar a vida de outras pessoas melhor.
Talvez seja esse o verdadeiro amadurecimento: não abandonar a criança que fomos, mas descobrir como o adulto que nos tornamos pode honrar aquilo que ela já sabia fazer.