28/09/2018
Por fim, representando o 'D' do nosso nome temos Alberto Santos Dumont, e aqui vamos contar um pouco sobre ele:
Em Dayton, Ohio (EUA), os irmãos Orville e Wilbur Wright alegavam já haver conseguido, em 1903, elevar ao ar uma máquina mais pesada que ele próprio, após anos de incessantes experimentos e árduos esforços. O fato é que os experimentos foram presenciados apenas por poucos amigos próximos, além da imprensa local. Sabe-se que o Flyer 1, a criação dos irmãos Wright, necessitava de trilhos e uma catapulta para ser impulsionado ao voo, não mantendo sua sustentação por muito tempo.
Devido à relutância dos Wright em permitir os registros de seus experimentos, muitos dos seus resultados foram considerados controversos. A notícia de suas proezas eventualmente chegou à França, de onde partiram convites, todos recusados, para que os Wright apresentassem sua invenção.
Já residente na França, o brasileiro Alberto Santos Dumont encantava os franceses com seus experimentos públicos e realizações, como a volta em torno da Torre Eiffel com o dirigível N-5, em 13 de julho de 1901. Diferente dos irmãos Wright, Dumont mantinha em domínio público as patentes de todos os seus inventos, como as versões I e II do biplanador Oiseau de Proie.
E foi assim que ele, em 23 de outubro de 1906, às 16h45min, partiu contra o vento a bordo do 14 Bis e voou 220 metros em uma máquina dotada de propulsão própria, ganhando o Prêmio Archdeacon. O feito foi registrado pela companhia cinematográfica Pathé, e reconhecido oficialmente pelo Aeroclube da França. Mais tarde, em 12 de novembro de 1906, Dumont conquistaria também o Prêmio do Aeroclube da França, vencendo dois dos três desafios propostos em 1904.
O fato é que Dumont foi o primeiro a conquistar o reconhecimento oficial e homologado sobre a criação das aeronaves. Porém, anos mais tarde, os resultados obtidos pelos Irmãos Wright, ainda que controversos, foram reconhecidos pela Fédération Aéronautique Internationale. Por antecederem os feitos de Santos Dumont, os irmãos Wright ganharam a fama mundial de inventores dos aviões. Ao nosso herói nacional, restou o eterno reconhecimento de brasileiros e franceses, por quem até hoje é cultuado como pai da aviação.
Cabe a cada aviador, portanto, escolher seu próprio patrono, pelos motivos que mais lhe parecerem cabíveis. E a todos nós, cabe o eterno reconhecimento a todos esses pioneiros, que não pouparam esforços para que, hoje, pudéssemos exercer nossa vocação de voar.