04/05/2018
A bússula pode partir, mas o norte sempre nos guiará
E o mestre partiu...
RIP Alexandre Wollner
Retrato de German Lorca
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/05/morre-pai-do-designer-moderno-alexandre-wollner-aos-89-anos.shtml
Alexandre Wollner foi um símbolo e um marco do design visual moderno brasileiro. Juntamente com João Carlos Cauduro, Fernando Lemos, Aloisio Magalhães, Geraldo de Barros, Ruben Martin e tantos outros, foi responsável pela implantação do design visual moderno no Brasil.
Rafael Cardoso, em seu livro “Uma Introdução à História do Design” (2008), lembra “[...] que surgiu em 1958 a forminform (com f minúsculo, segundo queriam seus idealizadores), frequentemente citado como o primeiro escritório de design no Brasil”. Impulsionado pelo clima empreendedor que dominava o Brasil no final dos anos 1950, Wollner se associa a outros expoentes que surgiam no horizonte do design visual brasileiro. Ainda segundo Cardoso, tendo como sócios Alexandre Wollner, Geraldo Barros, Ruben Martins e Walter Macedo, o forminform viria a acolher uma série de outros colaboradores importantes para a evolução posterior do campo profissional do design.
A criação do forminform está diretamente relacionada com a volta de Wollner de uma temporada de estudos na Europa. A ida de Wollner para a Alemanha surgiu com uma visita de Max Bill ao Brasil, em 1953. Bill veio ao país divulgar seus trabalhos, mas aproveitou a visita para perguntar à Pietro Maria Bardi se algum brasileiro estaria apto a estudar em Ulm. A indicação inicial de Bardi era, segundo o próprio Wollner, Geraldo de Barros. Por motivos pessoais, Barros não pode ir e o próximo indicado natural de Bardi era o próprio Wollner.
Antes de receber a bolsa de estudos e ir para a Escola de Ulm, Wollner foi, ainda, uma revelação das artes visuais no Brasil. Estudou no Instituto de Arte Contemporânea (IAC), criado no Museu de Arte Assis Chateubriand de São Paulo (MASP). No IAC, foi aluno de Lina Bo Bardi (1914 - 1992), Poty (1924 - 1998) e Sambonet (1924 - 1995). Posteriormente, interessado no movimento concretista, vinculou-se, em 1953, ao Grupo Ruptura, e apresenta suas obras construtivas na 2ª Bienal Internacional de São Paulo.
A ida para Ulm e a descoberta do design visual como ofício fizeram com quem Wollner retornasse da Europa com uma visão completamente diferente daquela que tinha ao deixar o país. A arte moderna brasileira (ou pelo menos parte dela), começava a se voltar para o design visual, sob a influência da evolução dessa área de atuação profissional em lugares como a Europa e os Estados Unidos.
Além de fundar a forminform, Alexandre Wollner junta-se com outras figuras importantes do design visual brasileiro para, em 1963, montar a Escola Superior de Desenho Industrial, no Rio de Janeiro. A este respeito, Gilberto Strunck apontava que “o emprego da Programação Visual vem sendo feito há muito tempo, mas seu ensino sistemático começou somente em 1919, na Alemanha, com a fundação da Bauhaus. No Brasil, isso se deu em 1963, com o advento da Escola Superior de Desenho Industrial – ESDI, no Rio de Janeiro”.
Wollner lançou, em 2003, um livro autobiográfico chamado “Design Visual 50 anos”, onde apresentou sua trajetória profissional durante as mais de cinco décadas de atuação como designer visual no Brasil. Além de inovadoras, as identidades visuais criadas por ele foram e ainda são fonte de influência, repertório e inspiração para todos aqueles que trabalham na área do design gráfico. Alexandre Wollner foi uma das mais importantes sementes de todo o design visual brasileiro moderno e contemporâneo.