10/12/2025
O frenesi em torno da inteligência artificial acendeu dúvidas sobre uma possível bolha, e dois dos principais nomes do setor admitiram reservas públicas. Sundar Pichai, do Google, disse ver "elementos de irracionalidade" no mercado de IA e advertiu que nenhuma companhia, inclusive o Google, estaria imune caso uma bolha estourasse - comentário relevante num momento em que as ações da Alphabet dobraram em sete meses, levando sua capitalização a US$ 3,5 trilhões. Pichai comparou o atual ambiente à bolha das pontocom dos anos 1990, lembrando os excessos de investimento que geraram falências e demissões, e afirmou: "Espero que a IA siga o mesmo caminho.
Há elementos de racionalidade, mas também de irracionalidade num momento assim." Os números reforçam o ceticismo: a OpenAI planeja investir US$ 1,4 trilhão em infraestrutura ao longo de oito anos, enquanto projeta gerar apenas US$ 13 bilhões em receita neste ano. Sam Altman admitiu que investidores estão "muito entusiasmados" com modelos de IA e que "alguém" perderá uma "quantia incrível de dinheiro". Satya Nadella, da Microsoft, também relativizou proclamações sobre Inteligência Artificial Geral, descrevendo como comum "dar um jeito de burlar te**es sem sentido" para marketing, e afirmou que o impacto real deveria aparecer em indicadores macroeconômicos comparáveis à Revolução Industrial - saltos de 5 a 10% no PIB que ainda não ocorreram.
Do outro lado, Jensen Huang, da NVIDIA, rebateu a ideia de bolha com resultados robustos: receita de US$ 57 bilhões no terceiro trimestre (alta de 62% ano a ano) e lucro líquido de US$ 32 bilhões; o segmento de data centers faturou US$ 51,2 bilhões, impulsionado pelos chips Blackwell, e a empresa projeta US$ 65 bilhões no próximo trimestre. Apesar dos ganhos da NVIDIA, a maioria das empresas que desenvolvem grandes modelos de linguagem registra perdas substanciais. Microsoft, Amazon, Meta e Google investem dezenas de bilhões em data centers cuja lucratividade permanece incerta.
Nadella defende que a IA precisa de um aplicativo equivalente ao Excel ou ao e‑mail para alcançar adoção de massa. Além disso, há um gargalo energético: "Se você não consegue fornecer energia, vai ficar com um monte de chips parados que não pode conectar. O meu problema agora não é falta de chips, é que não tenho onde conectá-los", disse ele. Para enfrentar isso, gigantes avaliam até construir reatores nucleares de pequeno porte (SMR); Rene Haas, da ARM, alertou que a demanda por energia pode triplicar, colocando em dúvida a sustentabilidade da expansão.
O desfecho é incerto, mas o tema deve permanecer em destaque.