30/07/2023
De Fiat Uno.....
BRASILEIRO CHEGA À TORRE EIFFEL COM UNO QUE VIROU MOTORHOME APÓS RODAR 60 MIL KM E PLANEJA LIVRO: 'NÃO TEM MAIS FRONTEIRAS PRA MIM'
Luiz Torelli chegou a 20 países visitados com o carro popular em tours pela América do Sul, Estados Unidos e Europa. Ideia nasceu como uma forma de enfrentar uma depressão, após a perda de sua avó, e depois de sobreviver a uma cirurgia de risco.
POR RODRIGO PEREIRA
Brasileiro chega até a Torre Eiffel com Fiat Uno transformado em motor home
Após rodar 60 mil quilômetros durante tours pela América do Sul, Estados Unidos e Europa a bordo de um Fiat Uno transformado em motorhome, o brasileiro Luiz Torelli viralizou novamente nas redes sociais ao chegar a um dos mais conhecidos cartões postais do mundo: a Torre Eiffel.
O morador de Nova Odessa, no interior de São Paulo, também chegou a 20 países visitados com seu companheiro motorizado, batizado como Sandrão, e seu objetivo atual é chegar até a fábrica matriz da Fiat, na Itália. Ainda neste ano, ele também planeja lançar um livro sobre a viagem até os Estados Unidos.
A ideia de viajar o mundo nasceu como uma forma de enfrentar uma depressão, após a perda de sua avó, e depois de sobreviver a uma cirurgia de risco.
Em território europeu, já foram percorridos Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda e o destino atual é o Reino Unido. Mas o início dessa nova jornada, em junho, foi atravessado por burocracias e gastos inesperados.
Luiz foi do Brasil a Portugal de avião e enviou Sandrão de barco, mas teve dificuldades para retirar o Uno no porto de Lisboa devido à necessidade de trâmites alfandegários.
Para retirá-lo, Luiz precisou gastar 3.200 euros e esperou quase um mês. "Chorei várias vezes. Chegou um momento em que eu pensei em desistir, em voltar para o Brasil", revela.
Após o mês "perdido" com a burocracia, Luiz corre contra o tempo para cumprir seu objetivo, já que tem um período de três meses de visto. "Eu tô na correria aqui pra dar tempo de fazer o máximo possível. Vou ter que pedir uma extensão de visto para f**ar um período a mais", conta.
Já entre os momentos mais prazerosos da nova tour, Luiz destaca Madri, na Espanha. "Achei muito legal. O povo espanhol é muito bacana, conheci muitos brasileiros em Madri. A cidade é muito bonita, e uma época muito de calor agora, né?", comenta.
E foi o próprio calor que fez com que ele desviasse sua rota para evitar desconfortos. "Eu ia pra Itália de Madri, mas acabei mudando a rota e indo pra cima, porque tava muito calor lá pra baixo. Estava batendo 40, 42 graus e pra gente que mora no carro f**a muito difícil dormir", explica.
Após passar pelo País Basco, foi a vez da França e a chegada até Paris.
"Quando eu cheguei na cidade dava pra ver a torre de longe, o Rio Sena. Eu fui margeando o Rio Sena e a hora que eu cheguei ali eu gritei mesmo e eu não acreditava que estava ali com o meu carrinho que eu andava na minha cidade. Não tem mais fronteiras pra mim, né? É aquela coisa de que nada mesmo é impossível na nossa vida [...] Eu acreditei, não desisti".
Ele conta que se lembrou dos desafios que venceu na vida ao chegar no local e que foi muito difícil chegar até lá.
"Já passei por dez cirurgias, nasci com lábio leporino, já passei muito sofrimento na minha vida. Já sofri demais e agora acho que Deus está olhando e está me recompensando por tudo que eu já passei", reflete.
A chegada ao Reino Unido tambem foi mais um desafio para Luiz, que diz que precisou passar por vistorias, trâmites burocráticos e novas esperas, mas diz já estar se acostumando com essas situações e até br**ca.
"No registro geral de viajantes do mundo, o cara puxa lá e fala: 'tem que interrogar esse cara aí'. E aí eu já estou meio que me adaptando. Quando eu sei que o país é rico, vai muito turista, eu sei que eles vão me perguntar um monte de coisa".
LANÇAMENTO DE LIVRO
O livro com a trajetória da primeira tour de Luiz tem lançamento planejado entre final de setembro e começo de outubro.
"Eu conto todas as histórias que aconteceu durante o trajeto da minha cidade até chegar lá em Nova York. Toda a América Latina que eu passei, América do Norte. E sobre a minha vida, eu tô contando tudo desde quando eu nasci, todos os problemas que eu passei, dificuldades", detalha.
A obra está quase pronta, mas ainda não tem um título, conta o novaodessense. "Vou contar toda a saga dos Estados Unidos, só não da Europa ainda. Vai f**ar com um próximo", adianta.
TOURS ANTERIORES
A trajetória internacional de Luiz e Sandrão começou em 3 de março de 2022. Na tour pelas américas, eles percorreram países como Paraguai, México, Peru, Colômbia e Bolívia.
Nos Estados Unidos, a jornada incluiu Chicago, Boston, Filadélfia, Washington, Miami, Orlando, San Diego, Los Angeles, São Francisco e Las Vegas. Entre os cartões postais, o Grand Canyon, que Luiz conheceu sob neve e um frio de -7ºC, a Golden Gate e a região do Big Sur, trecho da estrada Highway 1, na costa da Califórnia.
Lá, realizou sonhos que alimentava há anos, como conhecer a Times Square, em Nova York, e a casa onde viveu Elvis Presley, em Memphis, no Tennessee. Já no encerramento da viagem em território estadunidense, antes de se organizar para voltar, decidiu fazer referência a um clássico do cinema.
"Eu queria chegar no Monument Valley, que é um lugar onde o Forrest Gump encerra o filme, que ele fala 'vou voltar [para casa]'. E ali eu fiz até uma homenagem ao Jessy e Shurastey, porque eles passaram por ali também. Dali eu decidi encerrar e voltei sentido Texas".
Jesse Koz e seu cão Shurastey rodavam o mundo em um fusca e morreram em um acidente, em maio de 2022. A história deles inspirou Luiz, que mantinha contato pela internet com Jesse e iria conhecê-lo pessoalmente no ano passado, mas não houve tempo hábil.
INSPIRAÇÃO PARA OUTRAS PESSOAS
Antes de sair do país, Luiz contava com 19 mil seguidores em sua página .a.uno, que mantém no Instagram. Hoje, já são mais de 470 mil. Atualmente, ele já consegue viver somente do projeto, por meio de publicidade e venda de merchandising, mas diz que o mais importante e que "não tem dinheiro que pague" é a influência positiva que tem gerado em outras pessoas.
"Recebo muita mensagem de pessoas que se viram inspiradas pela gente a mudar e transformar suas vidas. [...] Eu fiz esse projeto para curar uma depressão que eu tinha, pela perda da minha avó, que foi a mãe que me criou. E tem gente que também está em depressão e vê os vídeos e se inspira. Faz um pouquinho do dia da pessoa melhor".
Entre os relatos, estão os de pessoas que se inspiraram tanto que compraram carros do mesmo modelo.
"Às vezes eu recebo foto: 'olha, por sua causa comprei um Uno. Eu e minha família estamos indo viajar. Obrigado por inspiurar a gente'. Muito desses relatos também. E acho que o que mais me impacta é de você tirar o cara de uma condição de tristeza e melhorar a vida do cara, melhorar o dia da pessoa. Gente com borderline que vê os vídeos e se sente calmo. Isso não tem dinheiro que pague. Eu fico muito feliz".