22/04/2026
“Você é o laboratório, você é o vaso, você é a coisa sendo cozinhada”
“Desejar não é suficiente; de fato, o desejo ignorante se frustra ou se deixa queimar. Para que o desejo se consuma, para que a opus tenha fruição - na arte, no amor, em qualquer tipo de prática - aprenda tudo o que puder sobre seu fogo: sua radiância, sua instabilidade tremeluzente, seu calor e sua raiva.
A arte do fogo e a chave da alquimia significam aprender como aquecer, excitar, entusiasmar, inflamar, inspirar o material à mão, que é também o estado de nossa natureza, de forma a ativá-la rumo a um estado diferente.
Note que é o fogo que permite. O fogo é o agente, o mestre da obra. Conhecer esse mestre é o mais importante; não aprendemos sobre ele em livros ou palestras sobre o desejo.
O fogo produz e permite efeitos diferentes em substâncias diferentes e em situações diferentes. Cada coisa incendeia de acordo com seu próprio estilo. Conheça seu fogo, mas conheça também seu material.
Quando aceleramos a natureza com calor, adaptamos o calor às qualidades da substância. Mais que isso: o calor que aplicamos externamente por meio do fogo visa acender e reforçar o calor inclusos dentro da substância. A quantidade e a qualidade do calor são determinadas pela coisa com a qual estamos trabalhando. Não demais, não de menos. Dosagem. Assim, a aceleração da natureza não tem fórmula, nenhuma clareza quanto à quantidade de horas, dias, anos. “Quanto tempo vai levar?”, pergunta o paciente ao médico, o cantor a seu instrutor, o escritor à sua agenda para fazer deste rascunho algo decente para enviar. “O tempo necessário para a obra.”
James Hillman em Psicologia Alquímica