20/02/2025
Um dia desses, tomava um café com dois amigos psicólogos, Bouba e Kiki (é, esses são os apelidos deles). A conversa acabou entrando em um assunto que me fez pensar muito: como as formas das coisas influenciam nossa percepção, foi uma daquelas conversas que faz explodir sua cabeça.
O Bouba, que é um cara tranquilo falou sobre como nosso cérebro sempre faz conexões invisíveis. Já o Kiki, mais direto e assertivo, veio com os exemplos práticos. Eles me explicaram que, mesmo sem perceber, a forma das coisas cria uma espécie de "feeling" em nós. E isso me fez lembrar de uma história da época em que trabalhava em uma agência de publicidade.
Lá, recebi a missão de ajudar a criar a marca de uma autopeças. Um colega, que é uma pessoa sofisticada e cheio de estilo, queria um símbolo com curvas suaves. Eu, por outro lado, defendia que a marca precisava ser "pesada", algo que transmitisse força, solidez e até "cheiro de graxa". No fim, a gente acabou achando um meio-termo, mas aquilo ficou na minha cabeça: como as formas podem comunicar tanto sem precisar dizer uma palavra.
O Bouba e o Kiki me explicaram que nosso cérebro associa formas arredondadas a coisas mais suaves, calmas e até afetuosas. Já as formas pontiagudas passam uma vibe de energia, dinamismo e até um pouco de agressividade. E isso faz todo o sentido, pense em marcas com traços grossos e formas retas: elas gritam "força" e "confiança". Agora, marcas com curvas suaves e traços finos transmitem delicadeza e empatia.
Eu saí dali com uma lição valiosa: o design não é só sobre fazer coisas bonitas. É sobre criar uma conexão invisível, entre a marca e quem a vê, é traduzir estrategicamente o intangível (a personalidade, o posicionamento) e usar a visualidade pra transmitir a verdade da marca para além das palavras, é fazer com que a audiência SINTA o que a marca é. Agradeci muito ao Bouba e ao Kiki pelo papo. Inclusive, vou deixar uma foto nossa no fim do carrossel e aposto que você vai saber quem é quem entre eles.