05/06/2026
O que morre quando o corpo morre?
Não sei responder isso com certeza. Acho que ninguém sabe de verdade.
Mas sei que tem uma energia que não cabe dentro de um corpo só. E o LeBron me provou isso.
Ele era um labrador chocolate de 13 anos. Mas antes de qualquer raça ou descrição, ele era um personagem. O tipo de ser que entrava num ambiente e mudava a frequência do lugar.
Sabe o cachorro que se levava pra passear? Segurava a própria guia na boca, saía andando pelo bairro como se o mundo inteiro fosse dele. E era, de certa forma. As pessoas paravam. Sorriam. Ele arrancava isso das pessoas sem esforço nenhum, só existindo do jeito dele: com uma ingenuidade absurda e uma personalidade que não tinha tamanho.
Ele foi meu filho. Foi meu amigo. E foi, sem saber, um dos meus maiores professores. Viveu como um anjo e de maneira honrada até seu último suspiro.
Me ensinou o que é amar de verdade. Sem condição, sem cálculo, sem espera de retorno. Só amar. Na forma mais pura que essa palavra pode ter.
Faz um tempo que venho caminhando pelo Zen Budismo e pela meditação. E uma coisa que aprendi nesse caminho é sobre impermanência. Que tudo muda, tudo passa, tudo se transforma. Que nada é eterno e que é justamente por isso que tudo é precioso.
O LeBron viveu isso sem precisar aprender. Ele já era impermanência com patas.
Ontem ele partiu. E eu tô exausto, não vou mentir. Cuidar de quem a gente ama no fim é pesado. É uma das coisas mais pesadas que existem.
Mas tem uma coisa que o texto budista não erra: o amor não desaparece junto com o corpo. Ele muda de lugar. Vira memória, vira saudade, vira a forma como você olha o mundo.
O LeBron vai continuar existindo toda vez que eu ver alguém sorrindo na rua sem motivo aparente. Toda vez que eu lembrar o que é amar sem pedir nada em troca.
Então talvez a resposta seja essa: o corpo vai. Mas o amor que passou por aqui, esse f**a.
Obrigado, filhote. Por tudo que você me ensinou só sendo você.
E tenho certeza que esse não é um tchau. É só um até logo. Em algum lugar, em alguma forma, a gente se encontra de novo.🤎