07/10/2026
Os romeiros já estão nas estradas. Desde os primeiros dias de outubro, milhares de fiéis seguem a pé em direção à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), para as celebrações do dia 12 de outubro, quando a Igreja Católica celebra a Padroeira do Brasil. A peregrinação, que atravessa gerações e reúne devotos de diferentes regiões do país, é marcada por promessas, agradecimentos e uma fé que se expressa no caminhar.
Neste ano, quem escolhe a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) como rota conta com um percurso reformulado e uma série de medidas de segurança. O novo traçado, batizado de "Caminho Consciente 2026", foi divulgado nesta quinta-feira (2) e é resultado de um trabalho conjunto coordenado pelo Ministério Público Federal (MPF).
A proposta busca reduzir a exposição dos peregrinos ao tráfego de veículos, sobretudo nos pontos em que a rodovia não possui acostamento e obriga pedestres e motoristas a compartilhar as mesmas faixas. Participaram da articulação a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a concessionária Motiva, a administração da Basílica e o Exército.
Entre as mudanças mais relevantes está a transposição do fluxo de pedestres da pista sul para a pista norte no quilômetro 125, em Caçapava. Os romeiros retornam à pista sul apenas seis quilômetros depois, seguindo por ela até o destino final. Já nas proximidades da Basílica, no km 82, na região de Roseira, foi instalada uma ponte provisória construída pelo Exército exclusivamente para a passagem dos fiéis.
O plano também inclui reforço na sinalização em pontos estratégicos, distribuição de milhares de tarjas e coletes reflexivos pela concessionária e abordagens educativas tanto a motoristas quanto a pedestres. Agentes da PRF acompanharão o trajeto, e 23 tendas de apoio estarão distribuídas ao longo do caminho, oferecendo água, frutas, informações e eventual suporte para remoção a unidades de saúde.
A procuradora da República Ana Carolina Haliuc Bragança, responsável pela coordenação das ações, ressaltou que a caminhada pela Dutra é intrinsecamente perigosa e recomendou que os romeiros optem, sempre que possível, por rotas alternativas. Caso escolham a rodovia, destacou, é fundamental seguir as orientações do novo mapa e manter a atenção aos riscos do percurso.
"O plano implementado, somado à prudência dos próprios pedestres, com certeza reduzirá, embora não elimine, os riscos que a caminhada pela Dutra naturalmente implica", afirmou a procuradora.
Para os fiéis que já estão na estrada, a orientação é redobrar a atenção, utilizar os equipamentos de visibilidade e aproveitar os pontos de apoio. A tradição segue viva, mas com mais segurança para quem faz do caminho um ato de fé.