29/09/2026
O futebol de base está ficando insuportável.
E não estou falando das crianças.
Estou falando do ambiente que nós, adultos, estamos criando.
Olha o que acontece:
Mesmo jogo.
Mesma categoria.
Mesmo treinador.
Mesmo trabalho.
Fim da partida.
📱 Uma mensagem: um pai xingando o treinador.
📱 Outra mensagem: um pai parabenizando pelo trabalho e pelo desenvolvimento dos atletas.
E aí eu paro para pensar:
Como duas pessoas podem assistir exatamente ao mesmo processo e enxergar coisas completamente diferentes?
Talvez a resposta seja simples.
Porque, muitas vezes, não estamos avaliando o processo.
Estamos avaliando se o resultado daquele dia confirmou aquilo que queríamos.
Se ganhou, o treinador é bom.
Se perdeu, está tudo errado.
Se meu filho jogou, ótimo trabalho.
Se meu filho não jogou, incompetência.
E o treinador?
Sempre no meio desse fogo cruzado.
Sempre em “dívida” com alguém.
Se cobra demais, é exagerado.
Se cobra pouco, é fraco.
Se prioriza desenvolvimento, “não quer ganhar”.
Se quer competir, “só pensa em resultado”.
Se roda o time, “o time não entrosa”.
Se não roda, “tem seus preferidos”.
Estamos criando um ambiente onde o treinador precisa acertar tudo... para pessoas que muitas vezes não concordam nem entre si.
E talvez esse seja um dos maiores problemas do futebol de base hoje.
Falamos muito sobre desenvolver crianças.
Mas pouco sobre educar os adultos que fazem parte do processo.
Treinadores: vocês também vivem isso?
Porque quem está no quadra/campo todos os dias sabe:
Trabalhar com futebol de base nunca foi apenas ensinar futebol.
Hoje, muitas vezes, precisamos também gerenciar expectativas, emoções, frustrações e opiniões.
E isso está ficando pesado demais.
⚽ O futebol de base precisa voltar a ser sobre desenvolvimento e ser um ambiente mais leve.