19/10/2026
Em boa parte das distribuidoras de alimentos, quem compra é o dono. Não por controle, e não por desconfiança da equipe.
É porque ele é mesmo o melhor comprador da casa. Conhece o representante há vinte anos, sente quando o preço vai subir, sabe qual fornecedor entrega no prazo e qual promete. Se ele delegar hoje, a compra piora amanhã. Ele não está errado.
O problema é o que essa escolha custa do outro lado. Enquanto ele está comprando, ele não está decidindo o resto — e o resto espera por ele. A negociação com o banco, a política comercial que precisava ser revista, o vendedor que precisava de uma conversa, a decisão sobre a rota que não fecha.
É um gargalo de competência, não de vontade. E por isso ele não se resolve com força de vontade nem com uma reunião de delegação.
O que costuma destravar é separar duas coisas que hoje são a mesma. A relação com o fornecedor e o faro de mercado seguem sendo dele. O que pode sair da mesa dele é o trabalho de levantar o que comprar: giro, cobertura, prazo, validade, espaço. Isso chega pronto, e ele decide.
Vale a pergunta: das horas que você gasta comprando, quantas são negociação de verdade e quantas são levantamento de informação?
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