27/05/2026
ASSOCIAÇÃO para cidadania e ensino de Qualidade (ACEQUA)
Comunicado sobre o 27 de Maio de 1977.
Hoje, Angola, relembra factos que marcaram, de forma dolorosa, a sua história recente. Foi a partir do dia 27 de Maio de 1977 que angolanas e angolanos, em todo território nacional, foram, barbaramente assasinados, devido a intolerância política e querelas internas no MPLA.
Até à data, desconhece-se o número exacto das mortes; as reais causas desta barbaridade e as dolorosas consequências. Até à data, os reais culpados nunca foram responsabilizados; as vítimas e suas respectivas famílias jamais foram, convenientemente, amparadas e honradas. Neste âmbito, a ACEQUA defende o seguinte:
1) O Estado angolano deve desenvolver esforços para que o povo angolano saiba as verdadeiras causas, factos e consequências dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977 e não só. Pois, só partindo da verdade é possível corrigir, prevenir e evitar que se repitam os erros;
2) Responsabilizar os verdadeiros causadores destes actos, para que possam reconhecer os seus erros, auto-perdoarem-se e merecerem o perdão da nação;
3) Honrar espiritual e materialmente, de forma séria, sistemática e contínua, todas pessoas vítimas e afectadas pelos conflitos e pela intolerância política em Angola, nas diferentes etapas da luta pela liberdade, democracia, dignidade e desenvolvimento de Angola;
4) Construir um memorial das vítimas e afectadas pelos conflitos e intolerância política em Angola, vocacionado para estudar, pesquisar, homenagear as vítimas e recuperar
psicológica e socialmente todas pessoas envolvidas, para gerar uma Nova Angola para Nova Geração;
5) incluir no Mapa Nacional para Auto-perdão, Perdão e Reconciliação Nacional todas vítimas e afetadas de intolerância político-militar do Kinkuzo; da Jamba; do dia 27 de Maio de 1977; do conflito pós-eleitoral, em 1992; da Sexta feira sangrenta e etc, para que sirvam de memória histórica capaz de prevenir e evitar, para que nunca mais se repita no solo pátrio.
6) Partindo do pressuposto de que nenhuma nação se reconcilia e cresce verdadeiramente, sem reconhecer os seus passivos dolorosos e aprender com eles, a ACEQUA, defende uma Angola baseada no diálogo, na justiça, no amor ao próximo, no patriotismo, na solidariedade e na reconciliação entre os filhos da mesma pátria e, no compromisso de nunca mais permitir que, a intolerância política, destrua vidas humanas;
7) Que a memória das vítimas e afectadas pelos conflitos e intolerância política seja preservada com respeito, responsabilidade e espírito de distribuição igual da riqueza nacional e construção para desenvolvimento sustentável Nacional.
A Direcção da ACEQUA, em
Luanda aos 27 de Maio de 2026.