17/06/2026
Todos os anos acontece a mesma coisa. Os dias f**am maiores. As roupas f**am mais leves e as praias enchem-se. E, de repente, milhões de mulheres voltam a ouvir a mesma mensagem: "Prepara o teu corpo para o verão."
Como se o verão fosse um exame e o corpo uma candidatura.
Como se existisse uma versão aceitável de nós que ainda não chegou.
Perder peso, tonif**ar, definir, corrigir, melhorar.
É curioso.
Nunca ouvimos falar de um sorriso de verão. De uma amizade de verão. De uma memória de verão.
Mas ouvimos falar constantemente de um corpo de verão. O conceito de "corpo de verão" é uma das campanhas de marketing mais bem sucedidas de sempre.
Não venderam apenas produtos. Venderam a ideia de que não estamos prontas.
Venderam a ideia de que precisamos de mais tempo, mais disciplina. Venderam a ideia de que o nosso corpo é um projeto que nunca termina. O mais doloroso é que muitas mulheres acreditaram.
Há mulheres que passam meses a preparar um corpo que já estava preparado para viver. Preparado para mergulhar, para dançar, para amar, para criar memórias, para sentir o sol na pele.
Mas, em vez disso, passam o verão a observarem-se. A esconderem-se nas fotografias. A compararem-se. A pensar na barriga enquanto estão na praia. A pensar nas pernas enquanto caminham. A pensar no corpo enquanto a vida acontece.
O corpo não é o lugar onde a vida espera. É o lugar onde a vida acontece.
A maior revolução deste verão não é transformares o teu corpo. Talvez seja parar de o tratar como um problema para resolver.
Não existe corpo de verão. Existe um corpo. E existe verão.
E nenhum dos dois precisa de pedir autorização para existir.
linhas soltas [pequenas revoluções]
Isto também é liberdade.
Episódio 7