07/12/2025
Nem tudo que brilha na timeline se sustenta na vida real. O afastamento do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, não é só mais um escândalo: é o retrato do desgaste de um modelo de comunicação que transformou gestão pública em espetáculo permanente.
Depois de 10 anos trabalhando com marketing político, já vi muita tendência surgir. Mas poucas foram tão nocivas quanto essa onda de “políticos-tiktokers”, que confundem governar com performar. A cidade vira cenário, o eleitor vira plateia, e o celular vira gabinete. Muita luz, muito corte, pouca entrega.
Manga levou isso ao extremo. Seus vídeos viralizavam mais do que a própria cidade comporta. E por um tempo isso funcionou. Até que a realidade bateu na porta. Investigações, afastamento judicial, denúncias pesadas. É aí que um fato f**a evidente: engajamento não é blindagem. E nunca foi.
E não é só Sorocaba. Essa lógica já contaminou cidades médias. Em Ourinhos, por exemplo, Guilherme Gonçalves navega dentro dessa mesma estética digital, cada um com seu estilo, claro, mas guiados pelo mesmo ecossistema de comunicação acelerada.
No caso do Manga, em vez de recuar, ele dobrou a aposta. Vídeos mais dramáticos, narrativas emocionais, estratégia clara de desviar o foco. Até continuou vendendo curso político. Nesse ponto, já não é gestão. É autopreservação narrativa.
Mas tem um limite. A estética sustenta o show, não sustenta a crise. Quando a verdade entra em cena, filtro nenhum resolve.
Talvez estejamos vendo o início do fim dessa fase dos políticos-influencers. Talvez seja só o primeiro grande sinal de desgaste. De qualquer forma, f**a o lembrete:
Cidade não é palco.
Prefeito não é influenciador.
E, na política, nem tudo que reluz é ouro.