03/07/2025
ESTUDO REVELA QUE VENENO DE ESCORPIÃO NEGRO DA AMAZÔNIA "PODE" CURAR O CÂNCER!
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Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), identificaram que o veneno de uma espécie comum de escorpião amazonense pode dar origem a um potencial medicamento para o tratamento de um câncer que é uma das principais causas de morte em mulheres.
Os dados mostram que na toxina do Brotheas amazonicus, uma molécula com ação contra células do câncer de mama comparável à de um quimioterápico comumente usado no tratamento da doença. Os resultados preliminares do estudo, feito em colaboração com pesquisadores do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), foram apresentados durante a Fapesp Week França, que foi realizada de 10 a 12 de junho na capital da região da Occitânia, no sul do país europeu.
A professora da FCFRP-USP e coordenadora do projeto, Eliane Candiani Arantes, explicou como ocorreu a pesquisa. “Conseguimos identificar por meio de um trabalho de bioprospecção uma molécula na espécie desse escorpião amazônico que é semelhante à encontrada em peçonhas de outros escorpiões e com ação contra as células do câncer de mama”, disse à Agência Fapesp.
AVANÇOS CIENTÍFICOS
Através de projetos apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no Centro de Ciência Translacional e Desenvolvimento de Biofármacos (CTS), situado no Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, os pesquisadores vinculados à instituição têm se dedicado a realizar a clonagem e expressão de moléculas bioativas, como proteínas de peçonha de cobras-cascavel e de escorpiões, por exemplo.
O trabalho já resultou no desenvolvimento de um produto patenteado pelo Cevap chamado selante de fibrina, uma espécie de “cola biológica” que usa uma serinoproteinase extraída de veneno de serpentes, como a Bothrops neuwiedi pauloensis e a Crotalus durissus terrificus, combinada com um crioprecipitado rico em fibrinogênio, extraído do sangue de bubalinos, bovinos ou ovinos.
A combinação desses componentes, no momento da aplicação, formam uma rede de fibrina que imita o processo natural de coagulação e cicatrização. O selante tem sido estudado para colagem de nervos, tratamento de lesões ósseas e até mesmo na recuperação do movimento depois de lesões medulares e está em avaliação em estudos clínicos de fase 3, a etapa final de análise de um novo medicamento antes de ser aprovado para comercialização.
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