26/08/2026
Todo mês tem gente pegando o salário mensal do dev, dividindo por 160 e achando que descobriu o custo da hora. Falta metade da conta.
Quem já orçou obra sabe o erro. Você lista o tijolo, o cimento e o ferro, fecha um número, e aí chega a mão de obra, o andaime, o transporte e o mestre que vai olhar o serviço. O número da lista de material nunca foi o preço da casa.
Com dev é igual. O salário é a linha mais visível e a menos completa.
Fora dele vem FGTS, INSS, férias com o terço, décimo terceiro, provisão de rescisão. Só isso já joga o custo uns 70% a 80% acima do bruto. Depois entra o que sustenta o trabalho: notebook, IDE, repositório, monitoramento, ambiente de homologação, o plano de IA que o time usa todo dia.
E tem a parte que ninguém coloca na planilha porque não vira boleto: as horas que não chegam no produto. Alguém revisa o pull request. Alguém cobre as férias. O incidente come uma tarde. O onboarding do próximo come uma semana. Das 160 horas que você contratou, umas 110 viram entrega.
Quando eu fecho essa conta, o multiplicador cai entre 2,2 e 2,8 vezes o salário. É faixa, não fórmula: depende do seu regime, da sua stack e de quanto o time gasta em reunião.
Refaça a sua com esses números antes de olhar qualquer proposta de fora. Comparar R$ 87 com o valor da hora de um fornecedor é comparar lista de material com obra entregue.
Faz a conta aí e me conta: qual multiplicador deu no seu time?